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quinta-feira, 24 de setembro de 2020

EM CIMA DA HORA

publicado em 21/08/2020

Dados comprovam a indecência da proposta dos bancos


Uma pesquisa realizada pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) mostra que o trabalho home office gerou aumento das despesas da categoria bancária com contas de água, gás, internet, energia e supermercado. Em contrapartida, os bancos tiveram redução de custos. Mas, mesmo vendo seus custos reduzirem e as despesas de seus funcionários aumentarem, os bancos – que pretendem tornar o trabalho home office permanente – querem impor perdas de rendimentos e de direitos aos seus funcionários e não reajustar salários e os demais direitos econômicos.

É assim que se desenham, pelos banqueiros, os resultados da Campanha Nacional dos Bancários de 2020. A categoria realiza, nesta sexta-feira (21), a sétima reunião de negociações com a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban), que negocia pelos bancos com o Comando Nacional dos Bancários.
Aumento de despesas dos bancários

A pesquisa do Dieese, realizada entre na segunda quinzena de julho, mostra que a conta de energia aumentou para 78,6% dos bancários que trabalham em home office, sendo que 31% deles viram essa despesa aumentar muito. Outro dado que chama a atenção é o aumento dos gastos com supermercado. Houve aumento de despesas para 72% desse público, sendo que para 34,9% aumentou muito. Mesmo assim, os bancos querem reduzir os valores mensais da cesta-alimentação paga aos bancários e deixar de pagar a 13ª cesta. Também querem reduzir os valores pagos a título de Participação nos Lucros e/ou Resultados (PLR) e o percentual pago como gratificação de função.


















https://bit.ly/2QeWxOB

Economia dos bancos

Em contrapartida, segundo dados divulgados nos balanços semestrais dos quatro maiores bancos do país, as instituições financeiras tiveram redução dos custos. O Bradesco, por exemplo, conseguiu economizar R$ 32 milhões com contas de água, luz e gás no primeiro semestre de 2020, na comparação com o mesmo período de 2019, uma redução de 13,7%. No Banco do Brasil, a economia com estes itens foi de R$ 22 milhões, uma variação de -8,2%. Os bancos conseguiram economizar ainda com vigilância e segurança e, principalmente, com viagens, com uma economia de mais de 43% (R$ 163 milhões).



































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Proposta indecente

Os dados não deixam dúvidas! Os bancários estão tendo custos maiores, os bancos menores. Mas, nas reuniões de negociações realizadas nesta semana entre a Fenaban e o Comando Nacional dos Bancários, os bancos apresentaram propostas que podem levar mais perdas aos trabalhadores. As reduções de rendimentos podem chegar a 7,9%, sem contar a inflação, uma vez que os bancos não querem reajustar os salários e demais verbas.

Sem contar a inflação, consideramos o salário médio recebido por um bancário que cumpre a jornada de 40h semanais, as perdas chegariam a R$ 13.282,57 em sua remuneração anual (-4.010,30 da gratificação; -636,17 da 13ª cesta; -8.636,10 da PLR, considerando as estimativas de lucro para 2020).

Na reunião desta sexta-feira, os bancos propuseram reajuste ZERO, o que levaria a mais uma perda de, no mínimo, de 2,65% nos salários (até o fechamento deste texto a reunião não havia sido encerrada).

Além do fim da 13ª cesta alimentação, os bancos querem reduzir a gratificação de função de 55% para 50% do salário.

PLR

Com a forçada queda do lucro líquido dos bancos, a PLR dos bancários já teria uma redução de até 25%. Mas, com a proposta da Fenaban, redução pode chegar a 48%.

Os bancos querem reduzir de 7,2% para 7% o limite mínimo de distribuição do lucro líquido no primeiro semestre em exercício. Além disso, a antecipação atual, que é de 54% do salário, mais fixo de R$ 1,474,38, com limite individual de R$ 7.909,30, pela proposta da Fenaban, fica em 43,2% do salário, mais fixo de R$ 1.179,50, com limite individual de R$ 6.327,44.

A regra básica da PLR anual é atualmente de 90% do salário mais fixo de R$ 2.457,29, com limite individual de R$ 13.182,18. Pela proposta da Fenaban, cairia para 72% do salário mais fixo de R$ 1.965,83, com limite individual de R$ 10.545,74.

Outras perdas também foram apresentadas na reunião. O percentual da parcela adicional, por exemplo, retornaria ao patamar de 2012. Os valores fixos teriam redução de 20%, retornando ao patamar entre 2014 e 2015. O acelerador da regra básica retornaria ao patamar de 2007.

A Fenaban também faz ajustes na redação na base de cálculo para o salário base acrescido das verbas fixas de natureza salarial. A mudança, no entanto, afeta bancários de vários estados onde os bancos pagam gratificação semestral. Nesses estados, as perdas chegariam perto de 50%.
  Fonte: Contraf-CUT
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