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domingo, 29 de novembro de 2020

EM CIMA DA HORA

publicado em 08/04/2020

Violência doméstica cresce no isolamento; Bancárias poderão contar com canal de apoio dos bancos

Em breve, as bancárias vítimas de violência poderão contar com um canal de atendimento por telefone oferecido pelos bancos. A medida é fruto de um acordo dos bancários firmado em 11 de março com a Fenaban com prazo de implementação até amanhã, dia 8 de abril. Em tempos da necessária quarentena para a contenção do Covid-19, em que parte das funcionárias estão em casa, se faz mais que essencial um apoio como este. O sigilo é garantido.

Exemplo disso é que, de acordo com o Plantão Judiciário da Justiça do Rio de Janeiro, houve um aumento expressivo de 50% no movimento e nos números dos últimos dias de março. Na maioria dos casos, o agressor era o parceiro da vítima. O confinamento acirra emoções e transtornos como depressão, agressividade e ansiedade no isolamento social.

Desde março do ano passado em pauta, a reivindicação pelo canal de apoio dos bancos surgiu a partir dos relatos de bancárias da base do Sindicato dos Bancários de São Paulo que viviam em situação de violência doméstica. Isso sensibilizou a dirigente sindical, conselheira fiscal da Afubesp e bancária do Santander Silmara da Silva, que resolveu pesquisar a questão mais a fundo.

“Depois que tive contato com essas bancárias, quis muito achar uma maneira de ajudá-las. Então, como eu teria que fazer meu trabalho de conclusão de curso na faculdade, resolvi pesquisar o tema para construir um mecanismo de proteção e auxiliar no tratamento do problema de conscientização coletiva”, conta.

Segundo ela, a princípio, pensou em entrevistar o RH dos bancos para questioná-los sobre como lidavam com a questão – porém, não obteve resposta. “Resolvi mudar a estratégia e entrevistar os gestores e as bancárias vítimas. Foi chocante”, relata Silmara. “O relato das bancárias com o tratamento recebido verificou a falta de formação e conhecimento por parte dos gestores.”

Com o comprometimento dos bancos com a implementação do projeto, os gestores serão treinados para o acolhimento das bancárias. Algumas das sugestões levadas pelo Comando Nacional dos Bancários aos bancos foram a formação de gestores para um curso específico sobre violência doméstica para ajudar a reconhecer os primeiros sinais nas vítimas, prestação de assistência jurídica, horários flexíveis, sigilo, entre outros.

A criação deste canal por telefone se faz mais que necessário em razão da pandemia. “O isolamento social, infelizmente, acaba ampliando o controle psicológico dos agressores sobre as mulheres, podendo aumentar o risco no número de feminicídios”, completa Silmara.

Não irão nos calar!

Desde setembro do ano passado, as bancárias que sofrem violência contam com o projeto “Basta! Não irão nos calar”, que oferece atendimento jurídico, em parceria com a Rede Municipal de Enfrentamento à Violência Doméstica, auxiliando as vítimas em questões cíveis (divórcio, guarda, pensão, danos moral ou estético, entre outras) e penais (medida protetiva e demais ações da Lei Maria da Penha).
Por conta da pandemia, este atendimento atualmente é feito via Central de Atendimento do Seeb-SP, que também atende por chat ou no telefone 4949-5998.

Boletim de ocorrência eletrônico

A Polícia Civil do Estado de São Paulo disponibilizou site para que as mulheres vítimas de violência doméstica façam o boletim de ocorrência online por conta das medidas de isolamento. Clique aqui para acessar.
  Fonte: Afubesp
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