EM CIMA DA HORA

publicado em - 19 de maio de 2017

Temer já está abandonado por equipe e isolado por parlamentares

Ambiente é de debandada do governo. Depois da Cultura, titulares de Cidades e da Defesa devem fazer o mesmo. Legendas se unem à oposição para pedir impeachment; já são quatro os pedidos.

Brasília – Apesar de Michel Temer dizer que permanece no cargo, o ambiente na Esplanada dos Ministérios e no Congresso Nacional é de isolamento cada vez maior do presidente. Enquanto nos bastidores se sabe de divisões entre os próprios peemedebistas, os partidos que trabalharam pelo impeachment da ex-presidenta Dilma Rousseff e atuaram próximos de Temer até agora passaram a pedir sua renúncia imediata ou sua cassação.

O ministro da Cultura, Roberto Freire, que é deputado pelo PPS, foi o primeiro da equipe de governo a deixar o cargo. Freire confirmou que sai atendendo a decisão do partido. Teria de ser seguido pelo ministro da Defesa, Raul Jungmann (do mesmo PPS), mas este afirmou que permanecerá no governo e deixará a legenda. No PSDB, o ministro das Cidades, Bruno Araújo (PE), já anunciou que fará o mesmo.

No caso do PSDB, a ruptura é ainda mais grave. A legenda, que tenta salvar a pele do próprio presidente, o senador Aécio Neves (MG) – suspenso hoje de suas atividades parlamentares – protocolou hoje outro pedido de impeachment contra Temer. E decidiu, em reunião da executiva, pela saída dos tucanos dos cargos ocupados no governo. Bruno Araújo, de acordo com fontes próximas, estaria aguardando apenas a oportunidade de falar pessoalmente com o presidente. O PSDB ocupa ainda os ministérios das Relações Exteriores e dos Direitos Humanos.

Efrahim Filho (PB), líder do DEM na Câmara, foi o primeiro que se manifestou nessa linha. Disse, desde ontem (17), que as acusações contra o presidente são gravíssimas e que Temer precisa ser investigado. No PPS, o líder Arnaldo Jordy (PA) defendeu a renúncia e destacou o que definiu como “grave crise institucional”.

Ilusão sobre a base

Em reservado, um senador do PMDB contou que ontem foram vários os pedidos feitos, durante reunião no Palácio do Jaburu, de pessoas mais próximas a Temer para que ele renunciasse. O presidente repetiu diversas vezes a frase “não saio daqui” e disse viver uma situação diferente da observada por Dilma Rousseff. O “trunfo” apontado pelo presidente é o fato de contar, ao contrário de Dilma, com um presidente da Câmara a quem é muito ligado, o deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ). Ele também teria se gabado de ter amplo apoio da base aliada.

O parlamentar disse que a avaliação feita por ele e esses assessores, era de que, talvez por conta do nervosismo e inesperado da denúncia, Temer não estaria percebendo a realidade que o cerca. Nas palavras deste senador, “Maia não tem a liderança, carisma, nem poder de articulação que tinha Eduardo Cunha”.

Em segundo lugar, a leitura que se faz do perfil da base aliada é que, ao contrário das legendas de esquerda, que ficaram com Dilma Rousseff, até o final, a maior parte das legendas tende a abandonar o governo da mesma forma que fizeram com a petista. “Há um outro fato que é a integração dos movimentos sociais que foram para as ruas defender a então presidenta. Isso não vai acontecer com ele (Temer)”, ponderou ainda este senador.

No momento em que desceu do gabinete para fazer seu pronunciamento, Temer procurou citar indicadores positivos da economia. Algumas tentativas de palmas por parte de alguns assessores não foram adiante – o que causou certo constrangimento. Logo depois, como forma de estratégia da comunicação, o presidente passou a circular por todas as alas do Palácio do Planalto, para visitar assessores e passar pessoalmente a imagem de que está tudo bem e que “o trabalho deve continuar”.

Obstrução da Justiça

A secretaria da Casa Civil chamou vários líderes dos partidos citados acima para novas reuniões com a equipe ministerial e o próprio presidente ainda nesta quinta-feira, na tentativa de evitar a desintegração da base.

A oposição, enquanto isso, avalia que não tem mais jeito. “O ambiente é de fim desse governo”, reiterou o líder da oposição na Câmara, José Guimarães (PT-CE).

Daqui a pouco, os partidos PT, PDT, PCdoB, Rede, Psol e PSB vão protocolar na Câmara novo pedido de impeachment de Temer. Será o quarto desde ontem, e desta vez com a força de cinco legendas em conjunto. “O diferencial, além da força do pedido conjunto, é o fato de destacarmos neste novo pedido a tentativa do presidente da República de obstrução à Justiça, que é um absurdo”, afirmou o líder do Psol, Glauber Braga.

Os outros pedidos foram protocolados pelo líder da Rede, Alessandro Molon (RJ), e pelo deputado João Henrique Holanda Caldas, mais conhecido como JHC (PSB-AL). Mas o que mais chamou a atenção foi o apresentado por oito deputados do PSDB.

À espera dos áudios

Segundo reportagem do jornal Valor Econômico, aguardam a divulgação dos áudios para definir posição em relação ao governo: PSDB (47 deputados e 11 senadores); PR (39 deputados, 4 senadores); PRB (23 deputados, 1 senador). O Podemos (ex-PTN), Podemos, ex-PTN (13 deputados), já anunciou saída da base, ponderando que não fará oposição.

 
Fonte: Rede Brasil Atual
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