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quinta-feira, 6 de agosto de 2020

EM CIMA DA HORA

publicado em 01/12/2016

Uma vida dedicada ao Santander não vale nada

Banco espanhol continua mandando embora funcionários com muitos anos de empresa e que estão prestes a entrar no período pré-aposentadoria; isso também não merece sua indignação, senhor Rial?

São Paulo – O Santander não pode fazer nada pelos bancários que doaram grande parte de suas vidas para o crescimento da empresa. Pelo contrário, está tirando de muitos deles a perspectiva de um futuro tranquilo na reta final de suas carreiras. O banco espanhol continua demitindo funcionários próximos do período pré-aposentadoria e os afastados por licença médica.

Nas últimas semanas, ao menos cinco empregados nessas condições foram cortados sem justa causa. O Sindicato conseguiu a reintegração de dois deles.

“O bancário se dedica a vida inteira para a empresa e no momento em que deveria ter oportunidade de se programar para aproveitar seu descanso, o Santander os demite, e sem justificativa, porque está apresentando lucro. É dessa forma que o banco trata seu maior patrimônio. Isso sim deveria causar indignação”, protesta o dirigente sindical Ramilton Marcolino, ironizando editorial na revista da empresa, em que o presidente do Santander Brasil, Sérgio Rial, elenca algumas de suas indignações. “As pessoas ficam totalmente desestabilizadas, porque estavam contando com esse período de estabilidade”, acrescenta.

Pessoas como a bancária Carolina [nome fictício], demitida recentemente prestes a entrar no período de estabilidade. E sua demissão teve um requinte de crueldade, infelizmente comum nos bancos. Ela ficou mais de dois anos afastada pelo INSS por ter desenvolvido depressão comprovada por laudo médico devido ao assédio moral que sofreu de sua gestora.

“O Santander fala tanto de ética, postura, integridade, respeito, transparência, mas faltaram com tudo isso comigo em um momento em que eu estava começando a me programar para o descanso da aposentadoria. Isso não é simples, não é pessoal, não é justo. Como uma empresa pode pregar isso se não pratica nem com quem mais contribui com seu crescimento, que é o funcionário?”, questiona.  

No retorno ao trabalho, passado algum tempo, voltou a sofrer assédio de outra gestora. “Sempre entreguei meu trabalho, tenho fatos para comprovar em um dossiê de quase 25 páginas. O problema é na gestão. O Santander não prepara os gestores para lidar com as pessoas”, afirma.

Durante o pouco mais de um ano que trabalhou no novo departamento, Carolina diz ter sofrido uma série de humilhações da superintendente, como gritos em frente à equipe, falta de retorno a projetos e ausência de resposta em e-mails, até que foi demitida.

“Tiraram meu trabalho e a perspectiva de me aposentar e ter um descanso merecido lá na frente. Trabalhei lá por mais de 10 anos, sempre acreditei no que fiz, sempre me envolvi muito, mas quando acontece o que aconteceu comigo, parece que a máscara cai. Para mim é muito triste ter esse retorno dessa instituição à qual me dediquei tanto”, desabafa.

“Onde está a indignação do Santander quando trabalhadores afastados por licença médica ou próximos de conquistar o sonho da aposentadoria são demitidos?”, questiona o dirigente Ramilton Marcolino. 

  Fonte: Seeb/SP
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