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sexta-feira, 29 de maio de 2020

EM CIMA DA HORA

publicado em 11/11/2019

Casa da Mulher Brasileira em São Paulo é inaugurada sob protestos de movimentos feministas

A Casa da Mulher Brasileira de São Paulo, que tem como principal objetivo contribuir para a redução dos casos de violência contra a mulher e apoiar as vítimas de feminicídio, foi inaugurada, nesta segunda-feira (11), durante evento com homens engravatados e policiais fortemente armados. Indignadas, as mulheres da sociedade civil protestaram em frente ao local.

A inauguração do espaço se deu com a construção de um palanque com a presença de representantes do governo, em sua maioria, homens.

Segundo Maria de Lourdes (Malu), secretária de Políticas Sociais da Federação dos Bancários de São Paulo (FETEC-CUT/SP), na chegada do evento de inauguração da Casa da Mulher Brasileira as mulheres foram surpreendidas com forte força policial e com o impedimento da entrada das mulheres trabalhadoras e movimentos feministas. “No evento estavam na maioria homens engravatados fazendo discursos falsos, pois sabemos que o governador e ex-prefeito de São Paulo João Doria nunca olhou para a realidade das mulheres, e, além disso, ainda cortou o orçamento e fez um desmonte das políticas de enfrentamento à violência”, completou Malu.

A importância da Casa da Mulher Brasileira

Fruto e parte principal do Programa “Mulher, viver sem violência”, lançado em 2013, pela Secretaria de Políticas para as Mulheres do Governo Federal, o projeto realizou várias ações, serviços de combate à violência contra a mulher, entre os quais consta a instalação de uma Casa da Mulher Brasileira (CMB), em cada capital de Estado.

O programa, e a própria criação da Casa da Mulher Brasileira, têm uma característica que nem sempre é observada e valorizada pela maioria dos governos. A ideia e a maneira como foi aplicada na prática não vieram da cabeça de um pequeno grupo de técnicos ou burocratas que consideram saber, sozinhos, do que o povo precisa. Tudo foi resultado de uma série de encontros, realizada em diversos pontos do Brasil, com a participação de mulheres de todas as classes sociais, raças, credos, profissões e níveis educacionais. Em São Paulo, esse encontro aconteceu durante a V Conferência Municipal de Políticas para as Mulheres, em setembro de 2015, e subsidiou a elaboração do Plano Municipal de Políticas para as Mulheres.

Das propostas apresentadas e debatidas naquela ocasião, uma que se destacou foi a de que era necessária a ampliação de serviços como Centros de Referência da Mulher, Centros de Cidadania da Mulher, Casas de Abrigamento Provisório e Casas Abrigos – essas inclusive de endereço sigiloso – para melhoria da abrangência e da qualidade do atendimento em seus vários aspectos.

Eram necessários programas e ferramentas mais eficazes e bem planejados, funcionando de maneira combinada, para combater a violência, o racismo, machismo e homofobia, que afetam a vida das mulheres cotidianamente. As mulheres também propuseram e exigiram a implantação de iniciativas de formação profissional, geração de emprego e renda e aumento da participação social, cultural e política nos diversos espaços.

Esse tipo de serviço – o da CMB – é inédito em nosso país, pois prevê a implantação no mesmo local de diferentes instituições públicas especializadas para acolher a mulher que sofreu violência ou ainda está em situação de violência, a saber: atendimento social, psicológico, jurídico, alojamento de curta duração, Delegacia da Mulher, Juizado Especial, Promotoria Pública, Defensoria Pública, brinquedoteca para as crianças permanecerem enquanto as usuárias são atendidas, capacitação para autonomia econômica e encaminhamento para emprego.

Essa concentração de serviços multiprofissionais em um mesmo local e em articulação com o Sistema Único de Saúde e com os serviços da rede de enfrentamento à violência de gênero, objetivam garantir maior eficácia e humanização, evitando que a mulher seja obrigada a fazer uma maratona por vários e distantes serviços.

  Fonte: FETEC-CUT/SP com Contraf-CUT
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