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domingo, 12 de julho de 2020

EM CIMA DA HORA

publicado em 23/09/2019

Hipocrisia da Caixa marca Dia Nacional de Luta da PCD 

Direção do banco se vangloria por ter contratado duas mil pessoas com deficiência, mas ignora falta de acessibilidade, além de omitir que esses trabalhadores não terão direito ao Saúde Caixa e que as contratações só ocorreram após anos de pressão do movimento sindical e condenação da Justiça

No dia 21 de setembro foi celebrado o Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência. A direção da Caixa aproveitou a data para externar sua hipocrisia e se vangloriar por uma medida pela qual não merece nenhum crédito: a contratação de dois mil empregados com deficiência aprovados no concurso de 2014.

O banco que possui menos de 3% de pessoas com deficiência no seu quadro de empregados publicou na sexta-feira (20) na intranet uma nota intitulada “Caixa comemora Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência em ano que se consolida como Banco da inclusão”. Uma empresa do porte da Caixa é obrigada por lei a reservar o mínimo de 5% das suas vagas para PcDs. 

Diz o texto: “Desde o início do ano, a Caixa tem adotado medidas para se consolidar ainda mais como o banco da inclusão. Entre elas a contratação de 2 mil novos empregados aprovados no concurso de 2014 até o final do ano, 100% deles PcDs.”

“Só que a direção do banco convenientemente omitiu que para esses dois mil empregados a Caixa não está oferecendo nenhuma assistência saúde, contrariando a cláusula 31 do Acordo Coletivo de Trabalho, e ignora os graves problemas de acessibilidade para trabalhadores com necessidades especiais”, afirma Vivian Sá, dirigente sindical e empregada da Caixa. 

Além disso, esses empregados só foram contratados após anos de cobrança do movimento sindical. “Desde 2015, em todas as mesas de negociação, nós estamos cobrando a contratação desses dois mil empregados e o cumprimento da cota mínima exigida para contratação de empregados com deficiência, algo que só ocorreu este ano, após o banco eliminar quase 20 mil postos de trabalho”, afirma Vivian. 

“Diferentemente da imagem que os textos na intranet querem construir, a realidade do banco é bem diferente”, afirma um dos bancários recém contratados. 

A Caixa ainda precisa contratar mais 2,5 mil PCDs para cumprir a cota legal que prevê que empresas com mais de mil trabalhadores tenham 5% dos cargos ocupados por pessoas com deficiência ou reabilitados. 

Dados da própria Caixa mostram que o índice de trabalhadores com deficiência em atuação é de apenas 1,42%, menos de 1/3 do exigido pela legislação. Tais números levaram o banco público a sofrer condenação no TRT em ação para cobrar a contratação de PCDs, de modo a cumprir o artigo 93 da lei 8.213/91.

“Pedro Guimarães está no comando da Caixa para aprofundar seu sucateamento visando a privatização. O encolhimento do banco está levando os empregados a enfrentarem cada vez mais sobrecarga de trabalho, o que resulta no adoecimento e no atendimento inadequado à população. Por isso o Sindicato vai continuar lutando por mais contratações e em defesa da Caixa 100% pública, o que é fundamental para o desenvolvimento do país. E contratação de PCDs é obrigação do banco. E parte dessa obrigação é dar boas condições de trabalho a estes e a todos os trabalhadores da empresa”, afirma Vivian.

  Fonte: Seeb/SP
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