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segunda-feira, 21 de outubro de 2019

EM CIMA DA HORA

publicado em 27/07/2016

Líbero do Itaú tem mais trabalho e menos dinheiro

Segundo denúncias, essa é a realidade de gerentes de agências digitais “promovidos” para função: resolver mais problemas, sem receber aumento de fato, e ainda levar culpa pelos erros, mas não os méritos pelos acertos; banco impede fiscalização do Sindicato.
 
São Paulo – Que tal receber uma promoção, ganhar um monte de novas responsabilidades, uma rotina de trabalho insalubre, mas não ter aumento no salário? Então seja um líbero no Itaú. Segundo denúncias recebidas pelo Sindicato, essa é a realidade desse novo cargo e que está gerando muita insatisfação nas agências digitais.
 
“O líbero nada mais é do que o Bombril da operação, o protetor de cárter, o tonto da vez. É uma promoção, mas não. O gerente que se destaca é promovido para líbero, mas não tem aumento de salário, e sim diminuição.” Assim um bancário resumiu o cargo.
 
Segundo denúncias, o líbero trabalha com headset oito horas por dia vendendo para quinze carteiras. O Ministério do Trabalho proíbe jornada de trabalho superior a seis horas com fone de ouvido.
 
“Além da audição prejudicada, o nível de estresse por oito horas ininterruptas é altíssimo, com elevado número de afastamentos e tratamentos emocionais”, denuncia o bancário. “Os que têm coragem se afastam, os que não têm continuam, pois quando retornam são descartados da empresa por serem fracos. A quantidade de pessoas fazendo tratamento devido ao estresse e doenças que ele ocasiona é enorme”, complementa.
 
Buchas – Os absurdos dessa nova atribuição não param por aí.  De acordo com relatos enviados ao Sindicato, o líbero é encarregado de resolver “todas as buchas”. Ainda tem de bater as metas, é avaliado pelo tempo de resposta das interações da agência e pela satisfação de clientes, e é o responsável quando a agência vai mal. “Mas quando vai bem, aí é o gerente-geral”, denuncia um bancário.
 
Esses funcionários também fazem a gestão de 15 gerentes e de três assistentes que, segundo as denúncias, trabalham oito horas com headset e encaram rotina igualmente bizarra. “[o assistente] Não tem obrigação de vender, mas se não vende, já sabe. Também resolve problemas dos 15 gerentes, não recebe comissão, faz compensação de cheques, responde e-mails, chats, telefones e, como o líbero, não veem critérios para promoção”, denuncia um bancário.
 
Pior é que o cargo parece mesmo só ter desvantagens. O líbero não tem Agir para bater, portanto não recebe a comissão relativa ao programa de metas.  Quando é “promovido” para a função de líbero, o bancário recebe aumento de salário, mas perde a comissão de cargo, por isso, na realidade, não recebe aumento de fato.
 
Às escondidas – Diante das reclamações, o Sindicato acionou o Itaú, que não deu retorno. “O banco não permite o acesso de dirigentes sindicais nas agências digitais. Somos impedidos de acompanhar a rotina e fiscalizar as condições de trabalho naqueles locais. Estamos reivindicando esse espaço há quase um ano. Por essa razão damos credibilidade às denúncias”, afirma Marta Soares, bancária do Itaú e diretora executiva do Sindicato.
 
“O medo do banco de que o Sindicato veja tudo isso é tão grande, que, na greve, ameaça de demissão quem abrir as portas ou autorizar a subida de pessoas do Sindicato”, denuncia um bancário.
 
E continua: “tudo nessa operação é escondido, nada exposto aos funcionários. Tudo nessa operação é na base da chantagem emocional e perda de emprego. Até quando vão enganar os funcionários? (...) Até quando vão promover sem aumentar os salários?”, questiona.
 
Fonte: Seeb/SP
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