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quarta-feira, 18 de setembro de 2019

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publicado em 04/07/2016

Itaú engana bancários com programa de vagas

Funcionários denunciam que é praticamente impossível se realocar, e o que é pior: depois de inscrito, quem não conseguir vaga em até 45 dias está na rua; para Sindicato, banco quer justificar demissões e trabalhadores devem denunciar

O Itaú criou o programa Conectando Oportunidades, por meio do qual os bancários se candidatam a vagas disponíveis dentro do banco. Só que, ao invés de ajudar, a iniciativa está causando transtornos e muita insegurança. Os trabalhadores que se inscrevem no programa recebem comunicado interno informando que eles têm 45 dias para conseguir uma vaga. Caso contrário, serão demitidos.

“Na realidade, é um programa criado pelo banco para alegar que está realocando os trabalhadores e justificar seu esforço em dizer que a demissão é o último recurso, mas o que os funcionários nos dizem é que se trata de uma enganação, pois ninguém consegue se realocar”, critica Valeska Pincovai, dirigente sindical e bancária do Itaú. “É só ver o número de demissões que o banco vem realizando.”

Diversos funcionários denunciaram que se candidataram a dezenas de vagas (um chegou a se cadastrar em mais de 80) e não se enquadraram ao perfil de nenhum dos postos. O programa engloba tanto funcionários em busca de ascensão na carreira quanto aqueles “à disposição”, expressão usada pelos gestores que não precisam mais dos serviços prestados.

“Acontece que o banco misturou tudo em um programa ineficiente em que a decisão final é do gestor e, para variar, o Itaú transfere a responsabilidade da realocação aos trabalhadores”, relata a dirigente.

Os bancários que se sentirem prejudicados podem procurar seu sindicato.

LIMBO
Na Atec, diversos trabalhadores estão nesse limbo. “Alguns foram chamados ao Ceic para realização de entrevistas coletivas que não resultaram em nada, outros estão desesperados e não conseguem arrumar uma vaga que se enquadre no seu perfil”, afirma Valeska.

A coisa fica mais complicada para os empregados com mais de 40 anos, que não conseguem colocação. “A justificativa do banco é que ‘eles não têm mais brilho nos olhos’. Isto é pura discriminação”, protesta Valeska.

Para os representantes dos trabalhadores, a prioridade do Conectando deveria ser os bancários que tiveram suas atividades extintas e não de quem está buscando promoção. O banco deveria ter criado dois programas separados.

“Faltam funcionários na rede de agências e o banco não contrata e nem realoca, pois o objetivo é precarizar o atendimento físico para forçar os clientes a buscar as agências digitais e assim fechar as de tijolo e cortar mais vagas”, denuncia Valeska.

Cobrado, o Itaú relatou ao movimento sindical que esse programa auxilia a encontrar uma vaga e que já conseguiu realocar muitos bancários.

“O Itaú tem de mostrar à sociedade o seu verdadeiro papel social e buscar manter os empregos e não cortar postos de trabalho como vem fazendo ultimamente, ajudando a levar o nosso país para o buraco”, completa a dirigente sindical.

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