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segunda-feira, 3 de agosto de 2020

Notícias

publicado em 04/07/2020

Na 22ª Conferência Estadual da FETEC, bancários debatem impactos do teletrabalho e a crise econômica do Brasil


Os impactos da destruição da economia por meio da política, racismo e teletrabalho foram os temas centrais da 22ª Conferência Estadual dos Bancários, que por conta da pandemia de coronavírus foi realizada de forma virtual, no sábado 4.

Neste ano, os bancários assistiram a análise de conjuntura com o sociólogo Jessé de Souza, autor de livros de grande repercussão e fundamentais para entender o Brasil de hoje, entre eles A Elite do Atraso: da escravidão à Lava Jato e A classe média no espelho: Sua história, seus sonhos e ilusões, sua realidade e também da doutora em sociologia Daniela Ribeiro de Oliveira que abordou sobre teletrabalho tema de fundamental relevância hoje e que ganhou ainda mais força com a pandemia no mundo todo.

Jesse de Souza fez uma crítica ferrenha à Lava Jato, chamado de máscara nova de um jogo velho criada com a ajuda dos Estados Unidos com o falso discurso de combate a corrupção o que resultou no Brasil falido, desmoralizado politicamente e num abismo social.
“Apesar de alardeada pela imprensa como a salvação do Brasil, a Lava Jato não teve nenhum aspecto positivo, pelo contrário deu abertura para se criar um candidato racista, corrupto e totalmente despreparado”.

Ele também lembra que no Brasil, o racismo tem se manifestado explicitamente contra o povo pobre, mestiço e negro sob a máscara dourada do falso moralismo do combate a corrupção.

 “A elite branca explora a sociedade, seja através de juros, seja pela dívida pública e pela altíssima taxa de juros. O que está acontecendo atualmente no governo Bolsonaro e de Donald Trump, nos Estados Unidos, tem a ver com a exploração da sociedade onde o rico fica cada vez mais rico e o pobre cada vez mais pobre e marginalizado se endividando cada vez mais para conseguir pagar de 200 a 300%  das taxas de juros dos cartões e cheques especiais”, e finaliza dizendo que a única saída para esta crise é analisar o tamanho do desastre criado pelo atual governo e tentar refazer o estado com a ajuda de todos.
“Uma grande revolução que tem de acontecer mais cedo ou mais tarde. E compreender os fatos como acontecem é fundamental para saber como agir e para onde agir”, conclui Jesse de Souza.

Teletrabalho: trabalho sem fim

“O teletrabalho que antes parecia uma linha longe no horizonte se tornou realidade de maneira acelerada no mundo todo”. Essa frase é da doutora em sociologia Daniela Ribeiro de Oliveira que fez sua palestra sobre o Trabalho Home Office, tema atual por conta da pandemia de coronavírus e por intermédio do movimento sindical levou 200 mil trabalhadores para essa nova modalidade desde o início dos primeiros casos de Covid-19 no Brasil.

A doutora explica que fez uma pesquisa inicialmente com os profissionais de TI, entre 2013 e 2017, e se baseou em três eixos: home office; perspectivas do trabalho flexível na geração Y e a criatividade. E descobriu ainda a maneira com que eles fazem a gestão tempo e do espaço em casa; como se dá a organização do trabalho e a criatividade que utilizam quando optam por trabalhar em lugares externos como cafés e coworkings.

“Percebi claramente como eles apresentavam o home office como vantagem já que tinham a liberdade de  executar o trabalho de qualquer lugar e ainda, em muitos casos conciliavam com viagens e com a possibilidade de não ter mais residências fixas. Mas também pude perceber as desvantagens, já que maioria apontou que quem não está sendo visto é mais complicado para conseguir promoção, não é lembrado e as pessoas acham que o profissional não trabalha”, diz.

Ela também comenta que o teletrabalho é mais complexo e gera uma maior sobrecarga para a mulher. Já que o trabalho se funde com os afazares de casa e sem têm filhos, complica ainda mais.

“Tem algumas empresas que estipulam dentre as condições de home office que o profissional bata 15% ou até mais da meta estipulada para o dia em relação a quem está no escritório. E isso é muito desgastante. Porque a empresa não leva em conta a série de acontecimentos que o profissional precisa administrar quando se está em home office”, diz.

Tem de haver limites

A pesquisadora ainda alerta para os futuros problemas que o home office pode ocasionar ao profissional e no momento de construir legislação mais efetiva, é preciso haver uma organização de seus representantes na construção de garantias e preservação da saúde mental e física desses profissionais nessa nova modalidade de trabalho.  

“É preciso saber como estipular e cobrar metas e objetivos, se atentar para o volume de reuniões virtuais, limitar a quantidade de mensagens e grupos de trabalho, e por fim as jornadas estendidas para evitar esgotamentos físicos e mentais aos profissionais”, conclui.
 

  Fonte: Redação SPBancários
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